
Só não quero o fim.
No rádio, provavelmente, está tocando uma música melancólica... por vários dias procurei uma maneira, procurei em cada ação uma fenda para fugir do estranho momento em que me encontro.
Deixar sentimentos escritos (principalmente os sentimentos mais profundos) muitas vezes me parece uma tarefa inglória, sem o charme de uma conquista, sem o glamour de uma proposta... só com o lado obscuro da solidão e do silêncio das palavras não ditas. Mas agora, escrever é quase o que me resta.
Não sei responder a tudo que sinto. A cada palavra que me sai surgem mais medo e emoção. Medo de tomar uma decisão errada, ou de deixar para trás coisas que eu sei que não estou preparada para dizer adeus.
Parece que foi ontem que passei pelas portas de um novo emprego, novas amizades, empolgação e expectativa. Eu sei o quanto sou jovem para perceber o quanto tudo foi maravilhoso no início, e ainda é... sei que um dia vou poder dizer que tudo faz uma enorme falta. Queria que tudo fosse um sonho, quem sabe assim seria mais fácil não me trancar por dentro.
Por isso quero me lembrar dos bons momentos. Deixar que cada riso, cada toque, cada abraço e beijo, e o silêncio das palavras não ditas, cubram cada lembrança amarga, choro, o medo e a irritação, porque tenho certeza, assim como é certeza que o inverno se aproxima, que se eu guardar só os bons momentos eu vou querer sempre estar dormindo, para que eu possa, de um jeito ou de outro, retornar para onde certamente fui feliz.
Há tantas coisas que eu queria deixar registrado... meus olhos suplicam para escrever e dizer o mundo que carrego nas costas, mas não há explicação lógica. Minha sensibilidade não me permite ir além dos meus próprios questionamentos. Entretanto, posso dizer que aprendi a ser diferente, a não me importar (pelo menos não muito) com opiniões alheias, fazer o que tenho de fazer, mesmo se não for politicamente correto, afinal, pra que servem as regras se não para serem quebradas. Aprendi a ser mais forte do que demonstro e principalmente, mais frágil e delicada do que qualquer um pode imaginar.
Agora, a chuva, as gotas que escorrem pelo vidro da janela, faz com que os pequenos ruídos se tornem uma melodia que me convence que o céu faz tudo ficar infinito. Escrevo numa tarde vazia e fria, e tudo me parece estranho e monótono. Do sonho que foi a minha vida, tudo agora me parece um estranho pesadelo. Quero acreditar que ainda há uma chance de tudo dar certo. Que esse realmente não é o fim. A vida, muitas vezes, não passa de uma dia de verão, os raios de sol aparecem, iluminam e se vão, e logo a noite vem. É como uma música da Barão Vermelho que diz assim: O mundo gira como um pandeiro/ Depois da chuva tudo passará/ O que foi triste em fevereiro/ Não se preocupe, meu bem/ Um dia vai mudar...
Sim. O céu pode ser infinito e o fim não precisa ser mesmo o fim. O que me faz lembrar de um famoso trecho que não deixará todas essas palavras sem sentido, sem nada de bom...
"A morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos que atravessam o mar e permanecem vivos um nos outros. Porque sentem necessidade de estarem presentes, para amar e viver o que é onipresente. Nesse espelho divino veem-se face a face e sua conversa é livre e pura. Este é o consolo dos amigos. Embora se diga que morrem, sua amizade e convívio estão, no melhor sentido, sempre presentes, porque são imortais".

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